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Pedido

"Aproveitemos o tempo para santificação nossa e dos nossos parentes e amigos. Solicitam orações, que estaremos rezando juntos, em união de orações aos Sagrados Corações."

Novembro: Mês das Almas do Purgatório

Mês das Almas do Purgatório – NOVEMBRO

MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO_CAPA

 

Mês das Almas do Purgatório

 

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Mons. Dr. José Basilio Pereira
10.a EDIÇÃO 1943
Editora Mensageiro da Fé Ltda. — Salvador — Baía
NIHIL OBSTAT: Baía, 19 de Julho de 1942
FREI BRUNO MOOS, O. F. M. — Cens. Dioc.
REIMPRIMATUR — Baía, 20 de Julho de 1942
MONS. ANNIBAL MATTA – Pro-Vig. Geral
DIREITOS RESERVADOS 



MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

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Para as pobres almas, que sofrendo estão,
Bom Jesus, não falte vossa compaixão.


INTRODUÇÃO

Doutrina da Igreja Católica

I
Existência do Purgatório
 
I. — O Purgatório é um lugar de sofrimento em que as almas dos que morrem em estado da graça, mas sem haver satis­feito à justiça divina quanto à pena tem­poral incorrida por seus pecados, acabam de se purificar, solvendo essa dívida para poderem ser admitidas no Céu, onde con­forme a Escritura, só entrará quem for puro. 

II. — As provas da existência do Purgatório podem ser tomadas : 

1º. DA ESCRITURA SAGRADA. O Antigo Testamento mostra-nos Judas Macabeu recolhendo doze mil dracmas, es­polio de uma vitória memorável, e remetendo-as para Jerusalém, a fim de que se oferecessem sacrifícios pelas almas dos que haviam perecido no combate, por ser, dizia ele, um pensamento pio e salutar o de orar pelos mortos para que se resgatem de suas faltas.
O Novo Testamento refere-nos estas pa­lavras de Jesus Cristo bem claras e preci­sas: Há pecados que nunca são remetidos, nem neste mundo nem no outro. (Mat. 12) Haverá, portanto, pecados que serão per­doados na outra vida. Não são menos frisantes estas outras palavras da pará­bola do credor: Há uma prisão donde não se sairá senão quando se tiver pago o ceitil derradeiro. (Mat, 18). — E estas de São Paulo: Haverá no último dia um fogo que destruirá as obras de certas almas, que só então salvar-se-ão. (Cr, 3.) 

2º. DA TRADIÇÃO INTEIRA, à qual deu o Concilio de Trento esta ratificação infalível:
«Se alguém pretender que todo peca­dor penitente, quando recebe a graça da justificação, obtém a remissão da culpa e da pena eterna de tal sorte que não fica devedor de nenhuma pena temporal a so­frer na terra ou na vida futura no Pur­gatório, antes de entrar no reino dos Céus: seja anátema ! (Sess. 6.a)[*]
 
3º. DA RAZÃO, finalmente, como São Boaventura com sua lucidez ordinária ex­põe nestes termos:
«O Purgatório deve existir por muitas causas:
A primeira, como observa Santo Agos­tinho, é que há três ordens de pessoas: Umas inteiramente más, e a essas não aproveitam os sufrágios da Igreja; outras inteiramente boas, que não precisam de tais sufrágios; outras, enfim, que não são de todo más, nem de todo justas e a estas cabem as penas passageiras do Purgatório, porque suas faltas são veniais.
A segunda causa é a própria justiça de Deus, porque, assim como a soberana bon­dade não sofre que o bem fique sem re­muneração, assim a suprema justiça não permite que o mal fique sem nenhuma punição…
A terceira razão para que haja um Purgatório é a sublime e santíssima dignidade da luz divina que somente olhos puros devem contemplar. É preciso, pois, que volte cada um à sua inocência batismal, antes de comparecer na presença, do Al­tíssimo.
Além disso, todo pecado ofende a Majestade Divina, — é prejudicial à Igreja — e desfigura em nós a imagem de Deus.
Ora, toda ofensa pede um castigo, todo dano uma reparação, todo mal um remédio; portanto é necessário também (neste mundo ou no outro) uma pena que cor­responda ao pecado.
Demais, os contrários ordinariamente curam-se com os contrários, e como o pecado nasce do prazer, o castigo vem a ser o seu remédio natural.
A ninguém pode aproveitar a negligên­cia, que é um defeito, e, se tal defeito não fosse punido, pareceria de vantagem para a vida futura não cuidar de fazer pe­nitência neste mundo.» (Comp. teol., 7). 

II
Penas do Purgatório
 
A revelação que nos fala claramente da existência de um Purgatório não se ex­plica tão claramente sobre o estado em que se acham as almas que precisam de purificar-se; não podemos, portanto, saber com exatidão nem onde elas sofrem, nem o que sofrem, nem de que modo sofrem.
Só podemos afirmar que as penas do Purgatório são extremamente graves e de duas -espécies: a primeira, a mais insu­portável, diz o Concílio de Florença, é a privação de Deus.
A necessidade de ver e possuir a Deus, que a alma, desprendida do corpo, com­preende ser o objeto único de sua felici­dade: essa necessidade se faz sentir a todas as nossas faculdades com uma força extraordinária.
É uma sede ardente, é uma fome devoradora, é um vazio medonho, uma espécie de asfixia produzida pela ausência de Deus, que é o alimento e o ar de nossa alma.
A segunda é uma dor que põe a alma em torturas mais cruéis do que as que os tiranos infligiam aos mártires.
A Igreja não definiu a natureza desta dor, mas permite ensinar-se geralmente que há no Purgatório, como no inferno, um fogo misterioso que envolve as almas sem consumi-las; e, diz La Luzerne, con­quanto não seja um artigo de fé, todas as autoridades dão tanto peso à doutrina de um fogo expiatório que seria temeridade desprezá-la. 

III
Causas do Purgatório 

São duas as causas do Purgatório: 

1.a A falta de satisfação suficiente pelos pecados remetidos. É de fé que Deus, perdoando os pecados cometidos depois do batismo e a pena eterna devida a esses pecados quando são mortais, deixa ordi­nariamente ao pecador já reconciliado a dívida de uma certa pena temporal que ele há de solver nesta vida ou na outra. 

2.a Os pecados veniais de que os justos podem estar maculados quando partem deste mundo.

IV 
Estado das almas do Purgatório 

Conquanto padecendo os mais cruéis tormentos, não se abandonam as almas do Purgatório à impaciência nem ao desespero: estão na graça e na caridade, e sua vontade tanto se conforma com a vontade divina, que elas querem com alegria tudo o que Deus quer. — Adoram a mão que as castiga e, por mais desejos que tenham de seu livramento, não o almejam senão na ordem dos decretos divinos. Conso­lam-se com a certeza que tem de não ofender mais a Deus e de ir um dia pos­suí-lo no Céu por toda a eternidade. 

V
Duração das penas do Purgatório 

Essas penas durarão pouco em relação às penas do inferno que são eternas, mas, consideradas em si mesmas, podem durar muito tempo. A Igreja autoriza os sufrágios de aniversário por muitos anos e até durante séculos: o que faz supor que as almas podem ficar todo esse tempo no Purgatório. Autores respeitáveis, entre outros Belarmino, admitem que haja peca­dores detidos no Purgatório até o fim do mundo. 

VI 
Boas obras em favor das almas do Purgatório 

Há entre os fieis vivos e os fieis mor­tos comunicação das boas obras.
—«A Igreja católica, esclarecida pelo Espírito Santo, aprendeu nas divinas Es­crituras e na antiga Tradição dos Santos Padres e tem ensinado nos grandes Con­cílios que há um Purgatório e que as almas detidas nesse lugar são socorridas pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo precioso Sacrifício do Altar». (Conc. Trent. sess, 25.)
O corpo místico de Jesus Cristo se com­põe de três Igrejas bem distintas: a Igreja triunfante no Céu, — a Igreja padecente no Purgatório, a Igreja militante na terra. Essas Igrejas, distintas em razão de sua situação diversa, compõem realmente um só corpo, do qual Jesus Cristo é a cabeça; em virtude da comunhão dos Santos, que professam no símbolo, elas se pres­tam mútuo auxilio. Tal é a magnífica harmonia do corpo da Igreja católica.
Não poderíamos nunca, diz o catecismo romano, exaltar e agradecer devidamente a inefável bondade divina que outorgou aos homens o poder de satisfazer uns pelos outros e pagar assim o que é devido ao Senhor. 

VII
As orações das almas do Purgatório 

É certo que as almas do Purgatório não podem merecer para si, mas ensinam comumente os teólogos, diz Monsenhor Devie, que se lhes pode fazer súplicas e que Deus se digna atendê-las, quando elas exercem a caridade para conosco, pedindo o que é necessário. — Os Santos no Céu, acrescenta esse prelado, não podem mere­cer para si; entretanto eles pedem por nós. É a doutrina de Belarmino, de Suarez, de Lessio e de Liguori.
«As almas que pensam, diz Belarmino, são santas, oram como os Santos; e são escutadas em razão de seus méritos an­teriores.»
«A opinião de que as almas do Purgatório oram por nós, diz Suarez, é muito pia e muito conforme à ideia que temos da bondade divina: não é em nada errônea.»
«Os mortos, observa ainda Belarmino, podem vir em nosso auxilio, porque os membros devem imitar a cabeça, o chefe Jesus Cristo… Há-de se dar a reciprocidade entre os membros de um mesmo
corpo: assim como na Igreja os vivos socorrem os mortos, os mortos devem so­correr os vivos, cada um a seu modo».
Todavia, a Igreja em seu culto externo não pratica a invocação das almas do Purgatório. 

VIII
Aparições das almas do purgatório 

1º. Estas aparições estão na ordem, das coisas que Deus pode permitir, e não repugnam a nenhuma das suas perfeições.
Mas as almas do Purgatório, privadas dos seus corpos, não podem por força própria entrar em comunicação com o mundo sen­sível: é preciso um prodígio para que isto se realize. 

2º. A Sagrada Escritura faz menção de aparições de mortos como de Samuel a Saul, de Jeremias e do grão-sacerdote Onias a Judas Macabeu, de muitos que saíram do túmulo na morte de Jesus Cristo e foram vistos em Jerusalém. 

3º. Um grande número de aparições que se contam são imaginárias, mas é certo que as tem havido verdadeiras, até mesmo em tempos não remotos. Santo Agostinho, S. Bernardo, S. Gregório Magno e S. Liguori referem várias, e seria mais do que temerário acusá-los de mentira ou de imbecilidade. S. Tomás diz: «As almas dos mortos manifestam-se algumas vezes por uma disposição particular da Providencia para se ocuparem de coisas humanas».[†]
 
4º. A Igreja não condenou, em tempo nenhum, esta crença. Cumpre dizer tam­bém que ela nunca sancionou com sua autoridade a autenticidade absoluta de ne­nhuma aparição citada pelos Santos. 

5º. Sendo as almas do Purgatório santas, boas e caritativas conosco, quando têm de Deus a permissão de nos aparecer não é evidentemente senão para testemunhar seu amor ou invocar o nosso: longe, pois, de nos causar terror, uma aparição deveria alegrar-nos.
Assim devemos ter como alucinação fantasmagórica, conto de pura invenção, toda aparição que só tenha por fim apavorar os vivos. É uma indignidade prestar este papel a almas santas.



ORAÇÕES PARA CADA DIA DO MÊS

 
Em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amem. 

Senhor, preparai e fortalecei nossos corações com a abundância de vossa graça, a fim de que, penetrando, em espírito de fé, caridade e compaixão, nas tristes prisões do Purgatório, possamos levar aos fieis que nele sofrem os tesouros de su­frágios que dão alívio a seus padecimentos, glória à vossa divina Majestade, con­solação e paz a nossas almas.
V. Vinde, Senhor, em meu auxilio.
R. Deus, acudi em meu socorro.
V. Dai às almas o repouso, Senhor.
R. E da luz eterna o esplendor.
V. Descansem em paz.
R-. Amem. 

ORAÇÃO
Ó santa e augustíssima Trindade! Ó Jesus! Ó Maria! Anjos benditos; Santos e Santas do Paraíso, alcançai-me as se­guintes graças que peço pelo Sangue de Jesus Cristo: Fazer sempre a vontade de Deus;
Viver estreitamente unido com Deus;
Pensar incessantemente em Deus;
Amar sobre todas as coisas a Deus;
Fazer tudo por Deus;
Procurar só a gloria de Deus;
Fazer-me santo por amor de Deus;
Reconhecer minha miséria e o meu nada; Conhecer cada vez mais a vontade de meu Deus.
Santa Maria, oferecei ao Eterno Padre o Sangue precioso de Jesus Cristo pela salvação de minha alma, pelas santas almas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja, pela conversão dos pecado­res, pelo mundo inteiro. 

Lê-se a Meditação própria do dia, cuja série se en­contra adiante, e reza-se, depois esta Salve Rainha pelos mortos.
 
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, não só neste vala de lágrimas, porém ainda no lugar de nossa expiação, salve! A vós clamamos, Consoladora dos aflitos; a vós suspiramos, gemendo e chorando por nossos irmãos que sofrem no Purgatório. Esses vossos olhos misericordiosos volvei a eles, Advogada nossa; e mostrai-lhes Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Isto vos rogamos encarecidamente por eles, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Intercedei pelos mortos, Santa Mãe de Deus, para que entrem já no gozo das promessas de Cristo. Amem. 

ORAÇÃO
Ó Jesus, abandonado de todos e até de vossos apóstolos no Jardim de Getsêmani, dignai-vos lançar os olhos de misericórdia sobre as almas do Purgatório, em particular sobre as que não recebem orações nem consolações e que, pelo decurso do tempo ou efeito de irreligiosidade e negligencia, estão esquecidas; fazei que participem das orações, santos sacrifícios, boas obras, cujo mérito não puder ser aplicado àqueles por quem a Igreja os oferta. Ah! Senhor, não terei eu abandonado, em um criminoso olvido, almas que tenham jus a meu reconhecimento, de parentes, de amigos, de benfeitores? Quero daqui em diante reparar tão grande ingratidão… Se conhecesse algum meio eficaz, por mais penoso que me fosse, empregá-lo-ia para aliviar essas pobres almas sem proteção no meio de um oceano de sofrimentos. Entretanto, eu me proponho fazer todos os sacrifícios que puder, e todo bem que fizer ofereço-vos à vossa glória pelas almas do Purgatório. em consideração de sua fé e esperança em vós, em consideração, principalmente, da agonia mortal e cruel abandono que sofrestes: dignai-vos, ó Jesus, remitir-lhes as penas que ainda têm de sofrer, a fim de que pos­sam ter livre entrada no reino eterno a que aspiram e onde celebrarão a grandeza ine­fável de um Deus que não desampara ninguém. 

Ladainha pelos fieis defuntos
Extraída do «Manual dos Ordenandos»
 
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Padre, dos Céus, tende misericór­dia dos fiéis defuntos.
Deus Filho, Redentor do mundo, tente misericórdia dos fiéis defuntos.
Deus Espírito Santo, tende misericórdia dos fiéis defuntos.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende misericórdia dos fieis defuntos.
Santa Maria, rogai pelos fieis defuntos.(*)
Santa Mãe de Deus, rogai pelos fieis defuntos.
Santa Virgem das virgens, rogai pelos fieis defuntos.
S. Miguel, rogai pelos fieis defuntos.
Santos Anjos e Arcanjos, rogai pelos fieis defuntos.
S. João Batista, rogai pelos fieis defuntos.
S. José, rogai pelos fieis defuntos.
Santos Patriarcas e Profetas, rogai pelos fieis defuntos.
S. Pedro, rogai pelos fieis defuntos.
S. Paulo, rogai pelos fieis defuntos.
S. João, rogai pelos fieis defuntos.
Santos Apóstolos e Evangelistas, rogai pelos fieis defuntos.
Santo Estevão, rogai pelos fieis defuntos.
S. Lourenço, rogai pelos fieis defuntos.
Santos Mártires, rogai pelos fieis defuntos.
S. Gregório, rogai pelos fieis defuntos.
Santo Ambrósio, rogai pelos fieis defuntos.
Santos Pontífices e Confessores, rogai pelos fieis defuntos.
Santa Maria Madalena, rogai pelos fieis defuntos.
Santa Catarina, rogai pelos fieis defuntos.
Santas Virgens e Viúvas, rogai pelos fieis defuntos.
Santos todos e Santas de Deus, interce­dei pelos fiéis defuntos.
Sede propício: perdoai-lhes, Senhor.
Sede propício: escutai-nos, Senhor.
De todo o mal, livrai-os, Senhor.
Da vossa ira, livrai-os, Senhor.
Do ardor da fogo, livrai-os, Senhor.
Da região das sombras da morte, livrai-os, Senhor.
Por vossa admirável conceição, livrai-os, Senhor.
Por vosso nascimento, livrai-os, Senhor.
Por vosso nome dulcíssimo, livrai-os, Senhor.
Pela multidão de vossas misericórdias, livrai-os, Senhor.
Por vossa Paixão acerbíssima, livrai-os, Senhor.
Por vossas chagas sacratíssimas, livrai-os, Senhor.
Pela morte ignominiosa com que, mor­rendo, vencestes nossa morte,
Pecadores: nós vos rogamos, atendei- nos.
Vós que absolvestes a pecadora e escutastes o bom ladrão, nós vos rogamos, atendei- nos.
Vós que salvastes gratuitamente todos os que estão salvos, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que absolvais de todos os seus peca­dos e penas aos nossos parentes, propínquos e benfeitores, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que vos digneis lembrar-vos e compa­decer-vos de todos os fiéis defuntos que não são mais lembrados na terra, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que outorgueis a todos os que descan­sam em Cristo o lugar de refrigério, da luz e da paz, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que convertais sua tristeza e luto em alegria, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que vos digneis coroar sua aspiração, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que os façais bendizer-vos de tudo e vos oferecer para sempre o sacrifício do vosso louvor, nós vos rogamos, atendei- nos.
Que os eleveis ao grêmio dos vossos escolhidos, nós vos rogamos, atendei- nos.
Filho de Deus, nós vos rogamos, atendei- nos.
Fonte de piedade, nós vos rogamos, atendei- nos.
Vós que tendes a chave da morte e do inferno, nós vos rogamos, atendei- nos.
Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.
Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.
Cordeiro de Deus, que tirais os peca­dos do mundo, dai aos fiéis defuntos o repouso eterno.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Padre-Nosso
V. Das portas do inferno,
R. Salvai as suas almas, Senhor.
V. Descansem em paz.
Amem.
V. Senhor, escutai a minha oração,
R-. E chegue até vós o meu clamor. 

OREMOS
Ó Deus, que perdoais aos pecadores e quereis a salvação dos homens, de vossa clemência imploramos que, pela intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria e de todos os vossos Santos, leveis à eterna bem-aventurança nossos irmãos, pa­rentes e benfeitores que tem partido deste mundo. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amem.
Querendo orar especialmente por um defunto:
Inclinai-vos, Senhor, a ouvir as humil­des preces com que solicitamos vossa mi­sericórdia, para que transporteis à região da paz e da luz a alma de vosso servo ………….. que retirastes deste mundo, e a façais participante da felicidade dos Santos. Por Cristo Nosso Senhor. Amem.
Por uma defunta:
Nós vos suplicamos, Senhor, por vossa misericórdia, que vos amerceeis da alma de vossa serva e, tendo-a liber­tado da corrupção da vida mortal, lhe deis a posse da salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem. 

Salmo De Profundis:
 
Do profundo abismo, em que me acha­va, clamei por vós, Senhor: Senhor, ouvi a minha voz.
Inclinem-se vossos ouvidos atentos ao clamor de minhas súplicas.
Se considerardes nossas iniquidades, Se­nhor: Senhor, quem se poderá sustentar?
Mas em vós se encontra a propiciação, e Vossa lei me anima a confiar em vós, Senhor.
Minha alma descansou na palavra do Senhor e nele pôs toda a sua esperança.
Espere assim Israel no Senhor, desde o raiar da aurora até o mais escuro da noite.
Porque o Senhor é todo misericórdia, e copiosa é a graça de sua redenção.
E ele mesmo há de remir Israel de todas as suas iniquidades.
V. Dai-lhes o descanso eterno, Senhor,
R. E da luz perpetua o esplendor.
V. Da porta do inferno,
R. Livrai, Senhor, suas almas.
V. Descansem em paz.
R. Amem.
V. Ouvi, Senhor, a minha oração,
R. E chegue a vós o meu clamor. 

ORAÇÃO
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de vossos ser­vos e servas a remissão de todos os seus pecados, a fim de que, pelas humildes sú­plicas de vossa Igreja, obtenham o pleno perdão que sempre esperaram de vossa infinita misericórdia. Vós que viveis e rei­nais por todos os séculos dos séculos. Amem.
W. Dai-lhes o descanso eterno, Senhor,
R. E da luz perpetua o esplendor.
V. Descansem em, paz.
R. Amem. 


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LEMBRANÇA DAS ALMAS DO PURGATÓRIO


DIA 1
A vigília dos mortos 

Acabo de ler a tocante denominação da festa de amanhã: Comemoração dos mor­tos, lembrança dos finados.
A Igreja católica não quer que sejamos ingratos e esquecidos, e por isso criou esta festa das recordações, festa pia dos corações amantes.
Sede bendita, Santa Igreja, que depois de nos terdes assistido até nossa hora derradeira e depois de nos haverdes cer­rado os olhos, ainda cuidais de nós: trazendo-nos à lembrança daqueles que em vida tanto amamos, e dando-lhes os meios de nos aliviarem e até obrigando-os a pensar em nós!
Os hereges abandonam os seus, quando a morte lhos arrebata: desde que cessam de vê-los, não se interessam mais por eles. Para os descrentes e hereges tudo se acaba nessa hora: não podem oferecer mais nada a seus mortos e, se, no momen­to da separação, não ousam julgar admi­tido no céu o companheiro que perderam, desde logo cessou tudo, só lhes restam as lágrimas!
Ah! as lágrimas são para os vivos, desa­fogam o coração, mas, sem as orações, as lágrimas de nada servem aos mortos.
Sede, pois, bendita, Santa Igreja cató­lica! Sede bendita por nos trazerdes, no meio das agitações de nossa vida material, como um eco de além-túmulo, esse grito tão tocante em sua simplicidade:
«Tende compaixão de nós, vós ao menos, ó amigos de outrora, porque a mão do Senhor se descarregou sobre nós.»
Sede bendita Santa Igreja católica, por nos dardes os meios de sermos úteis àque­les que Deus chamou a si.
Se a crença no Purgatório não existisse, o coração humano, pela voz de suas mais íntimas necessidades e de seus mais nobres instintos, o inventaria, fosse embora só para suavizar a morte e para fazer a luz na tristeza e no crepe dos funerais. Antigamente, em algumas comunidades religiosas, deixava-se desocupado na capela e no refeitório, durante quarenta
dias, o lugar de um irmão que falecia: na capela faziam-se-lhe as saudações do cos­tume, como se ele fôra presente; dava-se-lhe o ósculo de paz, e se dizia em sua di­reção o requiescant in pace do ofício coral.
No refeitório serviam-lhe sua ração diária e, todos os dias, acabada a refeição comum, vinha um pobre comê-la de joe­lhos, orando pelo finado.
Nós desejamos também, durante este mês, convidar-vos para o nosso lar, ó mortos queridos ! queremos ocupar-nos de vós, orar convosco, trabalhar convosco!
Daremos igualmente aos pobres, pelo repouso de vossa alma, a parte que vos tocaria em nosso labor cotidiano. 

DIA 2
Lembrança dos mortos 

“Não esqueçais vossos mortos, vós a quem eles tanto amaram!” Vi estas pala­vras gravadas, na porta de um cemitério, aos pés de um crucifixo, e me desperta­ram uma série de pensamentos de tristeza, de confusão e de remorso !
Não esqueçais vossos mortos, que tanto vos amaram! Estas palavras se deveriam escrever, não só na porta do cemitério em que repousam seus corpos, aguardando a ressurreição, mas ainda em cada um dos móveis que temos ao redor de nós e que deles recebemos.
Neste aposento. — Não foi ele, esse fi­nado talvez já esquecido, esse pai que queria tanto; não foi ele quem o dispôs tal qual está proporcionando-nos tantas comodidades?
— Não- foi nesse leito que ele exalou o último suspiro, que nos disse o derra­deiro adeus e que nos deu a sua ultima benção?
Nestes moveis. — Não foi essa mãe, de quem talvez já não nos lembrávamos, quem os comprou para nós? Evoquemos nossas recordações: foi para a festa de nosso dia de anos: ela fizera economias, conde­nara-se a privações para nos adquirir esses objetos, porque uma vez lhe manifestamos vagamente o desejo de possuí-los.
Nesta cadeira. — Não é a que ela ocu­pou em seus últimos dias, donde tanto nos acariciava? Esse lugar junto à mesa não era o seu?
Neste oratório. — Não era aquela boa irmã, menina tão piedosa, quem o ornava? Nós vínhamos rezar ali com ela e, cha­mados por ela, vínhamos todos, pai, mãe, os irmãos pequenos… e agora, está aban­donado talvez… como a lembrança da­quela que já não pode mais orar conosco.
Neste crucifixo que guardamos como uma relíquia, — Não recebeu ele os ósculos derradeiros de um pai, de uma mãe, de um filho?
Ó meus mortos mui queridos, com que dita eu acolho estas recordações que me comovem, consolando-me? com que pra­zer eu vos revejo em espírito e peço a Deus vosso alívio, vossa paz, vosso re­pouso eterno!
Se o tivésseis querido, Senhor, estes se­res tão amados, viveriam ainda e estariam junto a nós!
Eu me resignei à vossa santa vontade: aceitai em atenção a esta resignação dolorosa, mas submissa, recebei as ora­ções que por eles faço hoje e quero fazer todos os dias deste mês. 

DIA 3
Lembrança dos mortos 

A lembrança dos mortos é um encanto para o coração.
Uma animação para o trabalho.
Um conforto para as horas do cansaço.
Um freio para o ímpeto das paixões.
Quantas vezes, vendo um órfão crescer e desenvolver-se na inteligência e no co­ração, dizem os amigos da família: Oh! se os pais o vissem, como se julgariam felizes !
Quantas vezes, também nós temos dito nessas horas em que, aflitos, não encon­tramos um coração que se nos abrisse e com o qual desafogássemos: ah! se mi­nha mãe aqui estivesse, eu não sofreria tanto! se meu irmão, se minha irmã, se meu amigo vivesse, não estaria agora abandonado!
Qual de nós se não surpreendeu já num desses momentos de angústias que atravessam toda a existência humana, ex­clamando: Meu pai! minha mãe!
Até em nossas alegrias, em nossos triunfos, acaso não ternos repetido às vezes: Se minha mãe me visse, que prazer teria!
Recordações tão caras, embora tão dolo­rosas, vós rejuvenesceis minha vida!
Quantas vezes, um bilhete velho de um amigo de infância, — uma carta, principal­mente de pai ou mãe, demonstrando-nos sua afeição, dando um conselho, fazendo uma advertência, — carta deparada por acaso no fundo de uma gaveta, levou-nos de novo a esses dias passados em que vivemos todos juntos, trabalhando e so­frendo unidos, e ajudando-nos uns aos outros! E essas recordações nos des­pertaram também a de que não fomos sempre bastante indulgentes, bastante obe­dientes e amantes: e pusemo-nos a cor­rigir os erros.
Oh! não será estéril a lembrança de hoje! Meu pai, minha mãe, vou reler vossas cartas, escutar vossas advertências, e a satisfação que não vos dei, quando estáveis a meu lado, vós a tereis agora.
Conta-se de uma mãe que, na idade em que a filho começava a compreender e sentir, o levou em frente ao retrato do pai e lhe disse: Jura que te esforçarás para ser digno dele!
O menino jurou, e, por vezes, se detinha ante o retrato que parecia olhá-lo, e assim o interpelava: Meu pai, está contente comigo?
Eis a minha promessa de hoje: Sim, eu me farei digno de vós, ó meus mortos muito amados! Vós me haveis de ver fiel a Deus, fiel a meus deveres, fiel aos vossos exemplos. 

DIA 4
Relações com os mortos 

Se a lembrança dos mortos é tão grata, se tem tanta força para nos determinar a fazer o bem, que será o pensamento ín­timo de nossas relações de cada instante com eles?
A doutrina católica oferece a perspe­ctiva mais consoladora sobre essa estreita e afetuosa comunicação das almas dos escolhidos, que começa além-túmulo e prossegue na bem aventurança eterna.
O ensino da Igreja nos permite crer que nossos defuntos não estão ausentes, mas apenas velados e sempre junto a nós.
Ah! o pai, a mãe, o filho, o amigo a quem eu prezava, não era somente aquele Corpo que se via e se tocava, mas tam­bém aquela alma a quem Deus havia con­cedido toda a afeição que me mostrava e que eu lhe retribuía. Aquela alma já não se manifesta mais exteriormente, porém ainda me faz sentir sua presença.
Falem a respeito aqueles a quem Deus outorgou a graça de compreender o que essa comunicação das Igrejas militante e
purgante encerra de consolador e suave! «Aquele a quem choramos, escrevia Fenelon, não se ausentou de nós, fazendo-se invisível. Ele nos vê, ele nos quer, ele se compadece de nossas necessidades. Os sentidos e a imaginação só é que perderam seu objeto. Aquele que já não podemos ver, está mais do que antes co­nosco. Encontrá-los-emos sempre no meio de nós, olhando-nos e oferecendo-nos os verdadeiros socorros. Não- sofrendo mais suas enfermidades, melhor do que nós conhece ele as nossas, e pede os remédios que nos dão cura. Embora privado de vê-lo há muitos anos, eu lhe falo, abro-lhe meu coração, tenho a crença de en­contrá-lo na presença de Deus; e, con­quanto já o tenha chorado amargamente, não posso dizer que o perdi. Oh! quanto é real esta união íntima!»
«A morte, diz S. Bernardo, não separa dois corações unidos pela piedade.»
«As almas dos justos não nos deixam. Se quisermos, elas se conservarão conosco e nos farão experimentar um bem estar indefinível, mas real. Invoquemo-las frequentemente com as nossas preces, com as nossas aspirações, e com as boas obras que lhes fizeram e também a nós farão ganhar o Céu.» (Gergerès)
Eu posso, portanto, associar-vos a meus trabalhos, a minhas orações, a minhas ale­grias, a minhas tristezas, ó meus queridos finados! Que bem me faz este pensamento! 

DIA 5
Relações com os mortos 

Ocupemo-nos ainda hoje das relações íntimas que há entre nossa alma e as almas dos nossos mortos. «Nada mais triste, escreve Ozanam, na­da mais desolador do que o vácuo aberto pela morte ao redor de nós. Eu conheci esse tormento depois da morte de minha mãe, porém durou pouco. Não tardaram a vir outros momentos em que entrei a compreender que não estava só, em que alguma coisa de suavidade infinita se pas­sou dentro de mim: era como uma con­fiança de que não me haviam abandonado, era como uma vizinhança benfazeja, em­bora invisível; era como se uma alma estremecida, de passagem, me acariciasse com a ponte de suas asas.
E, assim como outrora eu reconhecia os passos, a voz, a respiração de minha mãe; assim quando um bafejo aquecia ou reanimava minhas forças, — quando uma ideia nobre preponderava era meu espírito — quando um impulso generoso abalava minha vontade, logo me vinha o pensa­mento de que partia dela.
Já se passaram dois anos, correu o tempo que dissipa todas as ilusões da imaginação perturbada, e experimento sempre a mesma coisa.
Quando pratico o bem, quando faço qualquer coisa pelos pobres, a quem mi­nha mãe acudia tanto, quando estou em paz com Deus que ela servia bem, afigura-se-me que ela me sorri de longe.
Às vezes, ao rezar, julgo ouvir sua oração acompanhando a minha, como fazíamos juntos, à noite, aos pés do crucifixo. Finalmente, quando tenho a felicidade de comungar, quando o Salvador vem me visitar, parece-me que ela o segue a meu mísero coração, como tantas vezes seguia, levado em Viático, às casas dos indigentes».
Todo o coração amante e piedoso há de experimentar mais ou menos o que experimentava Ozanam, mas isto só acontece ao que tiver sido realmente piedoso, ao que amar sinceramente a Deus, ao que houver sido bom e dedicado enquanto vi­veram aqueles a quem chora!
Só esse poderá dizer o que S. Jerônimo diz de Santa Paula: Nós a possuímos ainda conosco… Aquele que volta ao Senhor continua a fazer parte da família. 

DIA 6
A depositária das recordações 

Não é grata ao coração dos mortos, não é consoladora essa reconstituição, pelo pensamento, da família, que a morte dis­persou.
Mãe! esse filho que morreu em teus braços, a esta hora é o amigo, o irmão o companheiro de teu anjo da guarda perto de ti, a teu lado talvez; ele te diz baixinho: Não chores, mãe, eu sou feliz!
Filho! tua mãe, teu pai, mortos na paz do Senhor, são como outrora, embora de um modo invisível, teu guia, teu conse­lheiro, teu defensor!
Amigos, irmãos, esposos! aquele que o bom Deus chamou a si, não cessa de vos amar: mais puro com a expiação do pur­gatório, mais amante pela sua união com Deus, no Céu ele será para convosco tudo o que era na terra, e ainda mais clara e poderosamente!
Nutri-vos destas ideias, pobres almas aflitas; os sentimentos que elas desper­tarem suavizarão a amargura de vossa dor. Se tais sentimentos perseverarem, se fi­zerem permanência em vossa vida, oh! como os dias vos correrão tranquilos! Mas, ah! o sentimento é de sua natureza passageiro: tanto mais impressionável quanto mais delicado, o coração também vê apagarem-se, pouco a pouco, suas im­pressões substituídas por outras. Os ves­tidos do luto ficam durante algum tempo a avivar nossas recordações queridas, mas esses vestidos se deixam, e com eles aliviam-se primeiro e depois desaparecem também as lembranças.
Pobre natureza humana! a Igreja bem o conhece, e, não querendo que nos tor­nemos esquecidos, constituiu-se, em nome de Deus, a depositaria das recordações de nossos mortos.
Vejamos o que ela fez.
Consagrou um dia inteiro todos os anos, à oração pelos finados. Nesse dia, reveste-se de todas as suas pompas fúne­bres e nos conduz todos ao cemitério a olhar mais uma vez o túmulo dos nossos mortos.
Quis que um dia de cada semana, a segunda-feira — fosse especialmente con­sagrado a sufragar os falecidos, e, em muitas Ordens religiosas, junta-se nesse dia ao Ofício canônico — o dos mortos.
Dispôs que no fim de cada Ofício, isto é, sete vezes por dia, todos os sacerdotes e religiosos tivessem uma lembrança em favor dos mortos e rogassem a Deus para eles o descanso e a paz.
Instituiu aniversários, a fim de que as famílias viessem regularmente, todos os anos, ajoelhar-se ao pé do altar para pe­dir de um modo particular por seus de­funtos.
Determinou que todas as manhãs, no santo sacrifício da Missa, houvesse uma recomendação e um memento especial pelos mortos.
Concedeu indulgências particulares às orações pelos defuntos, e permitiu que se aplique em favor deles grande número de indulgências ganhas por orações e boas obras.
Aprova, sustenta e acoroçoa[‡] a funda­ção das confrarias consagradas ao cuida­do dos mortos.
Vós que praticais o culto dos mortos, amai a Igreja que tem a missão de con­servá-lo em vossos corações!
Aquele que não vai mais à Igreja, esquece depressa os mortos! 

DIA 7
Consolação 

Serve a todos a página seguinte, em­bora escrita expressamente para a con­solação de um só.
Todos aqueles que amavam e a quem a morte arrebatou o objeto do seu amor, todos carecem das mesmas palavras que levantam o espírito e que o tranquilizam.
«Não podeis habituar-vos à idéia de não achar mais em parte alguma, sobre a terra, o ente a quem parecia ligada vossa vida. É dolorosa, muito dolorosa a separação que vos feriu, mas lembrai-vos de que nossos laços só se quebram na aparên­cia… Deus, que os formou na terra, trans­porta aos Céus aqueles a quem prezamos, para nos forçar a erguer os olhos até sua mansão eterna.
A vista do cristão fixa o outro mundo, mas o olhar do coração encontra um vá­cuo desolador. Vós, principalmente, que podeis esperar a salvação de vossa irmã, não lastimeis sua sorte que é a convi­vência com os anjos. a vida piedosa, a morte edificante que teve, fazem crer que sua alma está gozando de uma felicidade que vós não podeis prometer-lhe nem dar-lhe. Dizei antes, pensando em sua au­sência: Nós nos tornaremos a ver bem cedo, e então nada mais nos há de se­parar!
Penetremos nos intuitos divinos: Deus nos fere quando quer, e no ponto mais Sensível. É só a fé que nos dá forças para estes sacrifícios naturalmente impos­síveis. Um cristão não pode afligir-se como quem não tem a esperança! Falai pouco aos homens e muito a Deus sobre a vossa tristeza. Eis o segredo da resigna­ção.
Não esqueçais de que devemos: sempre amar a Deus que é bom, até mesmo quando nos envia a tribulação. Estranhareis acaso que ele tenha recompensada aquela que lhe fez tão generoso sacrifício de sua mocidade, de sua beleza, de sua fortuna e de sua vida?
Lembrai-vos do momento solene em que o sacerdote; sem abaixar a voz, disse-lhe: «Sai, alma cristã, sai deste mundo!» Como respondeu ela com um sorriso an­gélico: «Sim, meu Deus, já, se o quiserdes!»
Ela estava, portanto, preparada para esta viagem eterna !
Ela morreu como morrem os santos. Voou para o lugar de felicidade em que a esperava, para coroá-la, o Deus a quem tanto amou. Olhai para o Céu, e esse olhar fortalecerá o vosso coração dilacerado. Aproximai-vos do sagrado Tabernáculo. Que coisa melhor poderia fazer um coração aflito que, a todo momento se apega às criaturas! Sofrei junto de Jesus Cristo: sofrereis amando.
O amor suaviza tudo e nos consola de sobrevivermos àqueles que queríamos mais do que a nós mesmos». 

DIA 8
Consolação 

Nosso Senhor Jesus Cristo quis para nossa consolação experimentar as amarguras que causa ao coração humano a perda daqueles a quem ama.
«Lázaro era apenas seu amigo, diz Mon­senhor Segur; Jesus ia cientemente res­suscitá-lo, e, todavia, quis chorar, quis sofrer, para santificar as dolorosas emo­ções da separação.
A morte dos que nos são intimamente caros é, pode-se dizer, a dor das dores».
«Vedes este esquife? dizia-me um dia um pobre operário que seguia, soluçando, o préstito de seu filho único: é minha vida que se vai!»
Para essas torturas, para tais dores que, com toda a verdade, se tem chamado uma dor louca, só há uma consolação: a que Vós dispensais, ó meu Deus! Perto de Vós, sob vossa mão paternal, que fere e que cura, o pobre coração recobra a paz, a própria felicidade, não a da terra, mas a do Céu: a felicidade da terra cessou para ele.
Escutemos algumas palavras, eco aben­çoado de um coração partido, mas de um coração ditoso dessa ventura celeste.
«Haveis de vos considerar muito in­feliz», dizia-se uma mãe verdadeiramente cristã que acabava de perder sua filha.
— «Infeliz? respondeu ela brandamente, oh! não! eu sofro muito, mas sei que minha filha está com Deus».
«Meu coração está traspassado, dizia um pai a quem falavam da morte de seu filho, o único arrimo de sua velhice. Mas, eu sinto ainda assim uma certa alegria no fundo d’alma: Meu filho está salvo! Sabeis o que ele era para comigo, sabeis quanto eu o queria e ele a mim. Pois bem, se o bom Deus me propusesse restituir-mo, eu não o aceitaria. Meu filho está salvo, salvo por toda a eternidade! Tudo mais não é nada!»
«Eis que vosso filho está a seguro e possui a salvação eterna! escrevia a uma mãe S. Francisco de Sales. Ei-lo escapo e garantido contra toda a perdição!… Foi para proteger vosso filho que Deus o le­vou tão cedo… Oh! quanto ele há de estar contente e agradecido pelo cuidado que dele tivestes enquanto se achava a vosso cargo, e principalmente pelas devo­ções que praticais em seu beneficio! Em compensação, roga ele a Deus por vós e faz mil votos por vossa vida, para que ela seja cada vez mais conforme à vonta­de divina e assim possais ganhar o Céu de que ele goza. Ficai, portanto, em paz e erguei bem o vosso coração ao Céu on­de contais com esse bom santinho.»
Ei-las, as palavras de verdadeira conso­lação: Aquele que eu choro está no Céu, está ao abrigo das misérias… e me es­pera! 


[*] O escritor não cita ipsis verbis os textos, mas dá seu sentido exato. (Do Trad.) 
[†] É portanto, contrária ao ensino da Igreja, além de humilhante e afrontosa aos destinos e condição das almas dos finados, a doutrina do espiritismo que dá aos médiuns o poder de as chamar ao mundo a fazerem revelações. A Igreja tem por várias vezes condenado esse erro e suas funestas práticas e, ainda recentemente, ocupou-se do assunto o Instituto Psicológico de Paris, nomeando para estudá-lo uma comissão que a esse fim celebrou 60 sessões, nas quais tomou parte o medium mais afamado da Europa e cujo resultado Gustavo Le Bon, que é um eminente cientista e não um clerical nos Annales de Sciences Psychiques, resume na seguinte conclusão: «O que há de certo no espiritismo é ter abalado milhares de mioleiras que já não estavam muito sólidas». (Do Trad.)   
[‡] Acoroçoar significa incitar, animar.
 
MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO. Mons. Dr. José Basilio Pereira. 1943. Bahia. Editora Mensageiro da Fé Ltda. Imprimatur 1942. Fonte.

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