Junho é o Mês do Sagrado Coração de Jesus, cuja FESTA ocorre
na sexta-feira da semana seguinte à Festa do Corpus Christi. É, portanto, uma
festa móvel:
2017: 23 Jun
2018: 08 Jun
2019: 28 Jun
2020: 19 Jun
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Mês do Sagrado Coração de Jesus
12ª Edição 1962
MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
traduzido das “PALHETAS DE OURO”
12ª EDIÇÃO
AUMENTADA COM DUAS COLEÇÕES DE EXEMPLOS PARA CADA DIA DO MÊS
POR
Mons. Dr. José Basílio Pereira
1 9 6 2
EDITORA MENSAGEIRO DA FÉLTDA. Caixa Postal, 708
Salvador – Bahia – Brasil
NIHIL OBSTAT:
Salvador, 15 de setembro de 1962
Frei Valdemiro Schneider O. F. M, (Censor diocesano)
REIMPRIMATUR:
Salvador, 15 de setembro de 1962
Mons. Pedro C. Guerreiro P. V. G.
12ª EDIÇÃO
AUMENTADA COM DUAS COLEÇÕES DE EXEMPLOS PARA CADA DIA DO MÊS
POR
Mons. Dr. José Basílio Pereira
1 9 6 2
EDITORA MENSAGEIRO DA FÉLTDA. Caixa Postal, 708
Salvador – Bahia – Brasil
NIHIL OBSTAT:
Salvador, 15 de setembro de 1962
Frei Valdemiro Schneider O. F. M, (Censor diocesano)
REIMPRIMATUR:
Salvador, 15 de setembro de 1962
Mons. Pedro C. Guerreiro P. V. G.
PRÓLOGO
A primeira edição deste opúsculo veio a lume em 1888, e trazia então uma notícia resumida mas bastante explicativa, sobre o Apostolado da Oração.
Hoje ele é reeditado sem esta segunda parte, mas em seu lugar vêm duas coleções de exemplos para os dias do mês; alguns transcritos quase textualmente do periódico “Mensageiro do Coração de Jesus” (Edição francesa), e outros compostos sobre dados que se encontram no dito periódico religioso e noutros, ou em vidas de Santos e biografias de cristãos de todas as classes, que foram fervorosos devotos do Sagrado Coração.
A primeira série de exemplos, que vem junto às meditações, consta de fatos que se deram em tempos e lugares diferentes, e demonstram a utilidade e o poder incalculável da pia devoção; chamar-se-á bem esta série a das — “Graças do Coração de Jesus”. A outra oferece, a largos traços, o esboço de vidas que se orientaram todas por este culto especial; pode intitular-se a dos — “discípulos do Sagrado Coração”.
A segunda coleção de exemplos vai colocada no fim do opúsculo, proporcionando, mesmo fora dos exercícios devotos, uma interessante e proveitosa leitura espiritual para cada dia do mês consagrado ao Santíssimo Coração de Jesus.
BAHIA, 29-3-1913.
Padre José Basílio Pereira
MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(7 anos e 7 quarentenas de indulgência cada dia e uma indulgência plenária no fim.)ORDEM DO EXERCÍCIO COTIDIANO
Invocação do Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. — Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. — E renovareis a face da terra.
ORAÇÃO
Deus, que esclarecestes os corações de vossos fieis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, conhecer e amar o bem e gozar sempre de suas divinas consolações. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
Oração preparatória
(100 dias de indulgência — Leão XIII, indulto de 10 de dezembro de 1885).
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à divina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos séculos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afetos e desejos, todas as minhas obras e palavras. Amém.
Lê-se a intenção própria do dia, recitando em sua conformidade um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, e a jaculatória: Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais.
Em seguida, a Meditação correspondente ao dia e, depois, a Ladainha do Sagrado Coração (vide abaixo).
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
Para concluir, a seguinte fórmula de consagração
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.
Para concluir, a seguinte fórmula de consagração
Recebei, Senhor, minha liberdade inteira. Aceitai a memória, a inteligência e a vontade do vosso servo. Tudo o que tenho ou possuo, vós mo concedestes, e eu vo-lo restituo e entrego inteiramente à vossa vontade para que o empregueis. Dai-me só vosso amor e vossa graça, e serei bastante rico e nada mais vos solicitarei.
(300 dias de indulgência. Leão XIII, Decreto de 28 de maio de 1887).
Doce Coração de Jesus, sede meu amor.
(300 dias — Pio IX).
Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
(300 dias — Pio IX).
PRIMEIRO DIA
Oremos para que em todo este mês não se cometa um só pecado mortal em nossa família. Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a jaculatória: “Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais”.
Jesus e as criancinhas
Jesus está assentado e, em redor dele, estão os discípulos; lá adiante, por entre a multidão, seu olhar paternal descobre umas criancinhas que tímidas se aconchegam às mães; Jesus estende-lhes os braços como a chamá-las.
Os pequenos compreendem esse convite afetuoso e logo correm a Jesus que os abraça, abençoa, detém junto de si e lhes fala do céu. Os Apóstolos, temendo que eles incomodassem o divino Mestre, queriam afastá-los… “Não, diz Jesus, deixai que as criancinhas se cheguem a mim”.
Que cena tocante! Ó Jesus, também eu sou criança e também, como elas, corro a vós; acariciai-me, abençoai-me, falai-me do céu.
Se me conservar simples, inocente, afável, me haveis de querer: não é assim meu Jesus? Afastai-vos, pois, pensamentos, desejos, afeições que arrancareis do coração o que agrada a Jesus.
“Preparar-me-ei devotamente para a minha próxima Comunhão”.
EXEMPLO
“Deixai os pequeninos virem a mim, porque deles é o reino dos céus. Foram certamente essas palavras partidas do Coração de Jesus que ditaram a seu Vigário na terra o decreto sobre a Comunhão dos meninos, mandando que se lha dê logo que neles se acenda o lume da razão e saibam distinguir entre o pão da alma e o do corpo; e os fatos providencialmente se tem encarregado de provar que, ao invés de retardar a primeira Comunhão para além do primeiro decênio da vida, é justo, muitas vezes, permiti-la até no primeiro lustro… Um desses casos é o de Nellie, chamada “a pequena violeta do SS. Sacramento”, morta aos 4 anos e meio de idade, a 2 de fevereiro de 1908, no convento do Bom Pastor, em Cork na Irlanda, e cuja “vida” corre impressa num volume de 225 páginas sob os auspícios e bênçãos de Pio X. Nellie, a primeira vez que viu a Sagrada Hóstia exposta, exclamou radiante: “Ali está o Deus Santo!” E dizia depois muitas vezes: “É preciso que vá hoje à casa de Deus Santo: eu quero conversar com Ele”. Abraçando com efusão as pessoas que haviam comungado, sem que lho houvessem dito, lhes declarava: “Eu sei que hoje recebeste o Deus Santo”. Quando, ferida de uma enfermidade mortal, lhe anunciaram que faria a sua primeira Comunhão, deu um grito de alegria, exclamando : “Terei então breve o Deus Santo em meu coração!” E, no curso de sua dolorosa enfermidade, recebeu muitas vezes a Hóstia Sacrossanta, recolhendo-se em fervorosas ações de graças que duravam duas e três horas, e suportando seus padecimentos até o fim, com uma resignação admirável e edificante, nunca, vista em criança de sua idade.
“A Revista do Coração Eucarístico” de julho de 1911 menciona também o caso de certa aluna de uma casa religiosa de Roma, onde se asilaram cerca de cem meninas escapas ao terremoto de Messina. Admitidas à audiência pelo Papa, quando este falava, sentiu-se mais de uma vez puxado pelas vestes, e perguntou: “Quem é que me sacode assim?” Uma voz argentina responde logo: “Sou eu”. Era uma pequena de 5 anos; as superioras quiseram repreendê-la, mas Pio X acudiu: “Povera fanciulla, que queres de mim?’— “Eu tenho cinco anos ; queria fazer minha primeira Comunhão, e as Religiosas não querem!”— “Não sabes talvez bastante o catecismo”, observou o Papa sorrindo. — “Examinai, replicou ela, eu responderei”. O Pontífice fez-lhe diversas perguntas, e as respostas foram satisfatórias; admirado, voltou.se para as Irmãs, e disse: “Dai-lhe a santa Comunhão amanhã”.
Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, todos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devoção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.
Sede a minha fortaleza, a minha alegria, a minha felicidade!
“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.
Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a minha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me tornarei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.
Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.
Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.
Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Aniquilai em mim tudo o que vos possa desagradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser separado. Isto vos peço por vossa infinita bondade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição senão a de morrer em vós e por vós.
Assim seja.
DIA 1 - Capítulo I
O amor ao Sagrado Coração, pode dizer-se, nasceu com a Igreja, e quem primeiro o praticou e ensinou, entre os homens, foi S. João Evangelista. Por isso, com razão chamou-o Sta. Gertrudes “o porteiro do Coração de Jesus”. Na verdade, para lhe assegurar esse título, basta o seguinte: na última Ceia pascal, era ele quem reclinava a cabeça no seio do Divino Mestre, e das mãos deste veio às suas antes de passar às dos outros, o cálice eucarístico; a ele coube no Gólgota receber o legado inefável que o Salvador fez de sua divina Mãe, que foi como que o do próprio Coração; e, na hora em que, morto Jesus, o soldado Longuinho rasgou-lhe com a lança o Lado Sacratíssimo fazendo correr dela a água e o sangue que representavam os mananciais dos sacramentos da Igreja, foi ainda o discípulo predileto quem o presenciou para atestá-lo. De sua pena inspirada saiu o mais profundo e sublime dos Evangelhos, esse em que a um tempo se entrevê a Jesus em suas grandezas inescrutáveis do Verbo Eterno e se o acompanha nas mais íntimas e mais admiráveis manifestações de Deus Humanado: e além desse Evangelho, que S. Jerônimo disse proceder da união do coração do homem com o Coração de Deus, e no qual é historiado o amoroso advento do Salvador, traçou também S. João o livro das visões de Patmos que anuncia a vinda final e triunfante do Juiz dos vivos e dos mortos a coroar de eterna glória aqueles que o seguiram. Poderia o Mestre Divino distinguir e favorecer melhor o Apóstolo amado? E o influxo de tão preciosas bênçãos se fez sentir poderoso. A perseguição dos Césares ao nome cristão atingiu o santo Apóstolo, mergulhando-o numa caldeira de óleo a ferver; e ele saiu ileso, e como que refrigerado e fortalecido, confessando intrépido a fé que professava. As chamas de zelo e de bondade que transbordavam do Coração do Mestre comunicaram-se ao coração do Discípulo, e foram nele um contínuo e fervoroso cuidar da salvação das almas, que até a cruéis chefes de bandidos, com instruções, súplicas e lágrimas, convertia em mansas ovelhas de Jesus; e, chegando à avançada idade em que para ir ao templo o carregavam nos braços, quando já não tinha forças para proferir discursos, contentava-se de clamar, repetidas vezes, em ardentes transportes de caridade : “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.
Jesus e as criancinhas
Jesus está assentado e, em redor dele, estão os discípulos; lá adiante, por entre a multidão, seu olhar paternal descobre umas criancinhas que tímidas se aconchegam às mães; Jesus estende-lhes os braços como a chamá-las.
Os pequenos compreendem esse convite afetuoso e logo correm a Jesus que os abraça, abençoa, detém junto de si e lhes fala do céu. Os Apóstolos, temendo que eles incomodassem o divino Mestre, queriam afastá-los… “Não, diz Jesus, deixai que as criancinhas se cheguem a mim”.
Que cena tocante! Ó Jesus, também eu sou criança e também, como elas, corro a vós; acariciai-me, abençoai-me, falai-me do céu.
Se me conservar simples, inocente, afável, me haveis de querer: não é assim meu Jesus? Afastai-vos, pois, pensamentos, desejos, afeições que arrancareis do coração o que agrada a Jesus.
“Preparar-me-ei devotamente para a minha próxima Comunhão”.
EXEMPLO
“Deixai os pequeninos virem a mim, porque deles é o reino dos céus. Foram certamente essas palavras partidas do Coração de Jesus que ditaram a seu Vigário na terra o decreto sobre a Comunhão dos meninos, mandando que se lha dê logo que neles se acenda o lume da razão e saibam distinguir entre o pão da alma e o do corpo; e os fatos providencialmente se tem encarregado de provar que, ao invés de retardar a primeira Comunhão para além do primeiro decênio da vida, é justo, muitas vezes, permiti-la até no primeiro lustro… Um desses casos é o de Nellie, chamada “a pequena violeta do SS. Sacramento”, morta aos 4 anos e meio de idade, a 2 de fevereiro de 1908, no convento do Bom Pastor, em Cork na Irlanda, e cuja “vida” corre impressa num volume de 225 páginas sob os auspícios e bênçãos de Pio X. Nellie, a primeira vez que viu a Sagrada Hóstia exposta, exclamou radiante: “Ali está o Deus Santo!” E dizia depois muitas vezes: “É preciso que vá hoje à casa de Deus Santo: eu quero conversar com Ele”. Abraçando com efusão as pessoas que haviam comungado, sem que lho houvessem dito, lhes declarava: “Eu sei que hoje recebeste o Deus Santo”. Quando, ferida de uma enfermidade mortal, lhe anunciaram que faria a sua primeira Comunhão, deu um grito de alegria, exclamando : “Terei então breve o Deus Santo em meu coração!” E, no curso de sua dolorosa enfermidade, recebeu muitas vezes a Hóstia Sacrossanta, recolhendo-se em fervorosas ações de graças que duravam duas e três horas, e suportando seus padecimentos até o fim, com uma resignação admirável e edificante, nunca, vista em criança de sua idade.
“A Revista do Coração Eucarístico” de julho de 1911 menciona também o caso de certa aluna de uma casa religiosa de Roma, onde se asilaram cerca de cem meninas escapas ao terremoto de Messina. Admitidas à audiência pelo Papa, quando este falava, sentiu-se mais de uma vez puxado pelas vestes, e perguntou: “Quem é que me sacode assim?” Uma voz argentina responde logo: “Sou eu”. Era uma pequena de 5 anos; as superioras quiseram repreendê-la, mas Pio X acudiu: “Povera fanciulla, que queres de mim?’— “Eu tenho cinco anos ; queria fazer minha primeira Comunhão, e as Religiosas não querem!”— “Não sabes talvez bastante o catecismo”, observou o Papa sorrindo. — “Examinai, replicou ela, eu responderei”. O Pontífice fez-lhe diversas perguntas, e as respostas foram satisfatórias; admirado, voltou.se para as Irmãs, e disse: “Dai-lhe a santa Comunhão amanhã”.
CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS
Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, todos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devoção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.
Sede a minha fortaleza, a minha alegria, a minha felicidade!
“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.
Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a minha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me tornarei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.
Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.
Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.
Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Aniquilai em mim tudo o que vos possa desagradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser separado. Isto vos peço por vossa infinita bondade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição senão a de morrer em vós e por vós.
Assim seja.
DIA 1 - Capítulo I
O amor ao Sagrado Coração, pode dizer-se, nasceu com a Igreja, e quem primeiro o praticou e ensinou, entre os homens, foi S. João Evangelista. Por isso, com razão chamou-o Sta. Gertrudes “o porteiro do Coração de Jesus”. Na verdade, para lhe assegurar esse título, basta o seguinte: na última Ceia pascal, era ele quem reclinava a cabeça no seio do Divino Mestre, e das mãos deste veio às suas antes de passar às dos outros, o cálice eucarístico; a ele coube no Gólgota receber o legado inefável que o Salvador fez de sua divina Mãe, que foi como que o do próprio Coração; e, na hora em que, morto Jesus, o soldado Longuinho rasgou-lhe com a lança o Lado Sacratíssimo fazendo correr dela a água e o sangue que representavam os mananciais dos sacramentos da Igreja, foi ainda o discípulo predileto quem o presenciou para atestá-lo. De sua pena inspirada saiu o mais profundo e sublime dos Evangelhos, esse em que a um tempo se entrevê a Jesus em suas grandezas inescrutáveis do Verbo Eterno e se o acompanha nas mais íntimas e mais admiráveis manifestações de Deus Humanado: e além desse Evangelho, que S. Jerônimo disse proceder da união do coração do homem com o Coração de Deus, e no qual é historiado o amoroso advento do Salvador, traçou também S. João o livro das visões de Patmos que anuncia a vinda final e triunfante do Juiz dos vivos e dos mortos a coroar de eterna glória aqueles que o seguiram. Poderia o Mestre Divino distinguir e favorecer melhor o Apóstolo amado? E o influxo de tão preciosas bênçãos se fez sentir poderoso. A perseguição dos Césares ao nome cristão atingiu o santo Apóstolo, mergulhando-o numa caldeira de óleo a ferver; e ele saiu ileso, e como que refrigerado e fortalecido, confessando intrépido a fé que professava. As chamas de zelo e de bondade que transbordavam do Coração do Mestre comunicaram-se ao coração do Discípulo, e foram nele um contínuo e fervoroso cuidar da salvação das almas, que até a cruéis chefes de bandidos, com instruções, súplicas e lágrimas, convertia em mansas ovelhas de Jesus; e, chegando à avançada idade em que para ir ao templo o carregavam nos braços, quando já não tinha forças para proferir discursos, contentava-se de clamar, repetidas vezes, em ardentes transportes de caridade : “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.
Mês do Sagrado Coração de Jesus. Mons. Dr. José Basílio Pereira. Editora Mensageiro da Fé. Fortaleza. 1962. Fonte.
Dia 2 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus - Jesus e Lázaro - Jesus e Lázaro
Dia 3 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: a pobre viúva de Naim que chorava seu filho
Dia 4 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: a Samaritana
Dia 5 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o pai aflito que pede a cura de seu filho
Dia 6 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o paralítico da piscina
Dia 7 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o leproso
Dia 8 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: os aflitos
Dia 9 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: Jesus defende Madalena
Dia 10 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o povo falto de pão no deserto
Dia 11 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: os apóstolos pedindo a punição dos samaritanos
Dia 12 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: S. João repousando sobre o peito do Salvador
Dia 13 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: negado por S. Pedro
Dia 14 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o bom ladrão
Capítulo II
Dia 15 - II - Desejos do Sagrado Coração: a glória de seu Pai
Dia 16 - II - Desejos do Sagrado Coração: a honra e glória da SS. Virgem
Dia 17 - II - Desejos do Sagrado Coração: a salvação das almas
Dia 18 - II - Desejos do Sagrado Coração: o livramento das almas do Purgatório
Dia 19 - II - Desejos do Sagrado Coração: o triunfo completo da Igreja
Capítulo III
Dia 20 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que, voluntariamente, permanecem em estado de pecado mortal
Dia 21 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas indiferentes
Dia 22 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas frouxas e tíbias
Dia 23 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que profanam os sacramentos
Dia 24 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: os que corrompem a infância
Dia 25 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que se afastam voluntariamente da Sagrada Comunhão
Capítulo IV
Dia 26 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: os zelosos Ministros de Deus e os santos Religiosos e Religiosas
Dia 27 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as almas que sofrem pacientemente
Dia 28 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as almas humildes e desconhecidas, que se julgam felizes com este esquecimento
Dia 29 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as crianças devotas e inocentes
Dia 30 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: somos nós que viemos, durante este mês, meditar nos seus terníssimos afetos e estudar os seus desejos.
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Dia 4 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: a Samaritana
Dia 5 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o pai aflito que pede a cura de seu filho
Dia 6 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o paralítico da piscina
Dia 7 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o leproso
Dia 8 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: os aflitos
Dia 9 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: Jesus defende Madalena
Dia 10 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o povo falto de pão no deserto
Dia 11 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: os apóstolos pedindo a punição dos samaritanos
Dia 12 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: S. João repousando sobre o peito do Salvador
Dia 13 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: negado por S. Pedro
Dia 14 - I - Os terníssimos afetos do Coração de Jesus: o bom ladrão
Capítulo II
Dia 15 - II - Desejos do Sagrado Coração: a glória de seu Pai
Dia 16 - II - Desejos do Sagrado Coração: a honra e glória da SS. Virgem
Dia 17 - II - Desejos do Sagrado Coração: a salvação das almas
Dia 18 - II - Desejos do Sagrado Coração: o livramento das almas do Purgatório
Dia 19 - II - Desejos do Sagrado Coração: o triunfo completo da Igreja
Capítulo III
Dia 20 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que, voluntariamente, permanecem em estado de pecado mortal
Dia 21 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas indiferentes
Dia 22 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas frouxas e tíbias
Dia 23 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que profanam os sacramentos
Dia 24 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: os que corrompem a infância
Dia 25 - III - Os espinhos do Coração de Jesus: as almas que se afastam voluntariamente da Sagrada Comunhão
Capítulo IV
Dia 26 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: os zelosos Ministros de Deus e os santos Religiosos e Religiosas
Dia 27 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as almas que sofrem pacientemente
Dia 28 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as almas humildes e desconhecidas, que se julgam felizes com este esquecimento
Dia 29 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: as crianças devotas e inocentes
Dia 30 - IV - Os consoladores do Coração de Jesus: somos nós que viemos, durante este mês, meditar nos seus terníssimos afetos e estudar os seus desejos.
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