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"Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém."

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domingo, 5 de maio de 2019

Bom Pastor...


Soneto IX 



Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De  Ti vêm as serenas esperanças,
De Ti vêm as angélicas doçuras.

Em todas parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas Alturas.

A mim, pois, que de magos desatino
E, noute e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino.

E, terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, Pastor Divino,
Que não falte uma ovelha ao Teu rebanho!


José Albano (1882-1923). De MIRAGLIA, Tolentino.  Piccola Antologia poetica brasiliana.  Versioni.  São Paulo: Livraria Nobel, 1955.  164 p.  Ex. bibl. Antonio Miranda. 


Sempre que possível, fazei a caridade de rezar por este nosso apostolado católico. Agradecemos com nossas orações recíprocas.  


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sábado, 8 de dezembro de 2018

Imaculada Conceição


Imaculada Conceição


Era o ano de 1823 (vinte anos antes da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição). O diabo tinha possuído um jovem analfabeto de apenas 12 anos de idade, residente na atual província italiana de Avellino, na região da Campânia. Estavam na cidade dois religiosos dominicanos, o pe. Gassiti e o pe. Pignataro, ambos autorizados pelo bispo a realizar exorcismos.

Os sacerdotes fizeram uma série de perguntas ao diabo que possuía o garoto e, entre elas, uma foi sobre a Imaculada Conceição.

O diabo confessou que a Virgem de Nazaré jamais tinha estado sob seu poder: nem mesmo no primeiro instante de sua vida, pois Ela já foi concebida “cheia de graça” e toda de Deus.

Embora seja o “pai da mentira”, o diabo pode ser obrigado no exorcismo a dizer a verdade, inclusive em matéria de fé. Foi assim que os dois sacerdotes exorcistas o obrigaram a reverenciar Nossa Senhora e a louvar a sua Conceição Imaculada na forma de versos. Humilhado, o diabo se viu forçado em nome de Cristo a cantar a glória de Maria mediante um soneto em italiano, perfeito em construção e em teologia! Reproduzimos o original italiano e, em seguida, a tradução ao português:

Em italiano:


Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre.


Em português:

Verdadeira Mãe sou eu de um Deus que é Filho,
E sou sua Filha, ainda ao ser-lhe Mãe;
Ele desde o eterno existe e é meu Filho,
E Eu nasci no tempo e sou Sua Mãe.

Ele é meu Criador e é meu Filho,
E Eu sou Sua criatura e lhe sou Mãe;
Foi divinal prodígio ser meu Filho
Um Deus eterno, e a mim ter por Mãe.

O ser quase é comum, da Mãe e do Filho,
Visto que o ser do Filho teve a Mãe, 
E o ser da Mãe teve também o Filho.

Ora, se o ser do Filho teve a Mãe,
Ou se há de dizer que foi manchado o Filho
Ou Imaculada há de se dizer a Mãe.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amizade com Cristo


Amizade com Cristo


Quero vos dizer como eu O conheci. 
Havia sempre ouvido falar d'Ele, mas não Lhe fazia caso. 
Mandava-me todo dia presentes, mas eu nunca Lhe agradecia. 
Me pareceu mais de uma vez que desejasse a minha amizade, mas eu permanecia frio. 
Eu estava sem casa, e desgraçado, e faminto, e a todo momento em perigo; 
e Ele me oferecia acolhida, comodidades, comida, segurança; mas eu Lhe era ingrato do mesmo jeito.
Enfim, Ele cruzou a minha estrada, e, com lágrimas aos olhos procurou dizer-me: vem ficar comigo.

Quero dizer-vos como agora me trata. 

Preenche todas as minhas necessidades.
Me dá mais do que ouso pedir. 
Antecipa tudo o que necessito.
Me suplica de pedir sempre mais.
Nunca Se lembra de minha ingratidão passada. 
Nunca me rejeita por minhas passadas loucuras.

Quero dizer-vos também o que eu penso d'Ele.

Ele é tão bom quanto é grande.
O Seu amor é tão vivo quanto verdadeiro.
É tão pródigo em Suas promessas, como é fiel em mantê-las. 
É ciumento do meu amor o quanto O merece. 
Eu sou em cada coisa Seu devedor, mas Ele me ordena de chamá-Lo de Amigo. 

Mas se desejamos conhecê-Lo através de Suas próprias expressões, e não das nossas, somos obrigados a examiná-Lo sob todas aquelas forma que escolheu  para Se nos manifestar. Não basta dizer: "Interiormente, Ele é meu Amigo, portanto não preciso de mais nada". Não é amizade leal, por exemplo, repudiar a Igreja ou os Sacramentos, como coisas supérfluas, sem antes indagar se Ele instituiu ou não estas coisas como meios pelos quais estabelece Se aproximar de nós. E, particularmente, se deve ter presente que no SS. Sacramento Ele nos traz tantos dons aos quais de outra forma não teríamos direito. Ele aproxima e une a nós não apenas a Sua Divindade, mas aquela mesma amável e adorável Natureza Humana que para tal finalidade assumiu na Terra.

Robert Hugh Benson

sábado, 16 de junho de 2018

Soneto à Virgem Maria


Soneto à Virgem Maria


Quem é esta, que vem assim radiosa
No iluminado clamor da manhã,
Ataviada, bela, perfumosa,
Da esperança, trazendo doce afã?

Quem é esta por quem suspira a lua
E até mesmo o sol reverencia?
Esta, a quem o imenso mar cultua
Bramindo num arroubo ___ Ah... Maria! 

és Rainha, és bem-aventurada
Ao teu redor ninguém pode ser triste
Toda pulchra, Virgem Imaculada

Esposa és do Espírito de Deus
Ao teu amor ó mãe ninguém resiste
Pois velas ternamente pelos teus...

(Anônimo)

*

segunda-feira, 31 de julho de 2017

CHAMA VIVA DE AMOR


CHAMA VIVA DE AMOR 


"Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

NOITE ESCURA


NOITE ESCURA 


1. Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamadas,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CÂNTICO ESPIRITUAL



CÂNTICO ESPIRITUAL  


I
Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo‑me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.

II
Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, porventura, virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei‑lhe: que adoeço, peno, e morro. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEXTA-FEIRA SANTA


De um lado para o outro absorto
No meu triste pensamento
Mal dou pelo que te diz o ladrão
A Ti meu Senhor quase morto.

Aproveitando o último momento, 
Consegue roubar o Teu coração
Já sem uma gota de sangue.

E Tu, da Cruz donde pendes exangue, 
Dás-lhe como prêmio o Paraíso!

Como és bom e justíssimo Juiz!

Aviva-se em mim um sonho antigo:

Que quando me submeteres a juízo
Me sentencies a ir ter contigo!

Franbezant, OFM Conv.

Fonte: Web. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Poema à Imaculada

15/12/2016. Ainda estamos na Oitava da Festa da Imaculada Conceição de Maria. E vamos homenageá-la com um soneto italiano extraído do “Le feste della Santissima Vergine celebrate con ossequiosi sonetti”, escrito pelo Abade Giuseppe Taschini (1727-1808), de Modena (Itália), e publicado na cidade de Parma, pela editora dos Irmãos Gozzi, em 1797. De Maria numquam satis!!!   



Schiacciasti il serpe ben con piede invitto,

Vergine generosa; e il primo istante

Contavi appena. Nè già al par costante

Stette Mosè contra il Tiran d Egitto;

Nè con pari prodezza andò sconfìtto

Dal buon Davidde il Filisteo Gigante:

Nè Daniele al Re Caldeo davante

Sì il drago estinse ond’era il Regno afflitto

Deh ti mova il veder, ch’oltre a mill’ anni

Legato or si disciolse; e cruda guerra

Dà il fier Dragone a noi con sommi danni.

Schiaccialo novamente e quante sferra

Armi, calpesta: eludine gli inganni,

O sola eletta a consolar la Terra.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

As Rosas

As Rosas 


    Segundo uma lenda antiga,
    Maria, com São José,
    Fugindo à gente inimiga,
    Transpôs caminhos a pé.  


E à proporção que Maria
    Deixava rastro no chão,
    Todo o caminho floria
    De rosas em profusão.
     

Pelos trilhos e barrancas
    Das estradas, viu-se em breve
    O estendal de rosas brancas
    Tudo enfeitando de neve.
     

De um branco suave e doce
    As rosas; nenhuma havia
    Pela terra, que não fosse
    Da cor dos pés de Maria.
     




Depois de tempos volvidos,
    Ao peso de imensa cruz,
    Pelos caminhos floridos
    Um homem passa - Jesus.



    E sobre o estendal de flores,
    De seu corpo o sangue vai
    Caindo, e Ele entre mil dores
    Não geme, não solta um ai. 



    Passou e pelas barrancas,
    Sob as asas das abelhas,
    Dos tufos das rosas brancas
    Brotavam rosas vermelhas. 








Só duas cores havia
    De rosas que aqui registro:
    A cor dos pés de Maria
    E a cor das chagas de Cristo.




B. Braga
Visto em: http://vashonorabile.blogspot.com.br/2015/02/as-rosas.html.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Da tarde morta o murmurar se cala...

A alma, como incenso, ao céu se eleva
Da férvida oração nas asas puras,
E Deus recebe como um longo hosana
O cântico de amor das criaturas.

Do trono d'ouro que circundam anjos
Sorrindo ao mundo a Virgem-Mãe se inclina,
Ouvindo as vozes de inocência bela
Dos lábios virginais de uma menina.

Da tarde morta o murmurar se cala
Ante a prece infantil que sobe e voa
Fresca e serena qual perfume doce
Das frescas rosas de gentil coroa.

As doces falas de tua alma santa
Valem mais do que eu valho, ó querubim!
Quando rezares por teu mano, à noite,
Não te esqueças: também reza por mim.

Casimiro de Abreu


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quarta-feira, 16 de julho de 2014

ROMANCE DAS IGREJAS DE MINAS

 

"Minha alma sobe ladeiras,

Minha alma desce ladeiras

Com uma candeia na mão,

Procurando nas igrejas

Da cidade e do sertão

O gênio das Minas Gerais

Que marcou estas paragens,

Estas sombras benfazejas,

Estas frescas paisagens,

Estes ares salutares,

Lavados, finos, porosos,

Minerais essenciais,

Este silêncio e sossego,

Estas montanhas severas,

Esta antiga solidão,

Com o sinal do seu lirismo,

Com a cruz da sua paixão.

Templos de Minas Gerais.

Das cidades e arraiais,

Templos em pedra-sabão

De Sabará e Mariana,

De Ouro Preto, de Ouro Branco,

De Brumado a Catas Altas,

De Santa Rita Durão,

Santa Bárbara, Congonhas,

Cachoeira, São João del Rei,

Tiradentes, Caeté:

Quantas vezes meditei

Os novíssimos do homem,

Que o século não consome

Nem a ciência destrói,

Nesses templos soberanos,

De riscos audaciosos,

De curvas acentuadas,

De linhas voluptuosas,

Íntimos, doces, profanos,

Refinados, populares,

Que inspiram poesia e dó,

Nesses Carmos e Pilares,

Nesses Rosários e Dores,

Nesses Perdões e Mercês,

Em São Francisco de Assis,

Em Nossa Senhora do Ó!

Em capelinhas caiadas

Na colina levantadas,

Vestidas de branco e azul.

Minha alma desce ladeiras,

Minha alma sobe ladeiras,

Desce becos, sobe vielas

Com uma candeia na mão,

Procurando a forma altiva

Da cruz, viva tradição,

Pedra de ângulo, base

Da rude religião.

Diviso lívidos Cristos,

Diviso Cristos sangrentos,

Monumentos de terror,

O Cristo da Pedra Fria,

O Senhor da Cana Verde,

O Cristo atado à coluna,

O Senhor morto esticado

Envolto em roxo sudário

Debaixo do próprio altar.

Vejo agora mãos chagadas,

Nossa Senhora de espadas

Cravadas no coração,

Coroas de espinhos, vasos

Por onde escorreu o fel,

Tíbias, caveiras coroadas,

Pinturas já desmaiadas

Nas telas emolduradas

Em forma de medalhão,

Figurando o Paraíso,

A Trindade, a Anunciação,

O Lava-pés, o Batismo,

A Morte e a Ressurreição;

Relicários, oratórios,

Pelicanos de coral,

Sinistro baixo-relevo

Das almas do Purgatório

Libertas por São Miguel,

Longas lanças de Longuinho,

Atlantes do Aleijadinho,

Portas, púlpitos, profetas

Marcados por seu cinzel,

Redondos anjos barrocos

Que o toreuta retorceu,

Arabescos sensuais,

Apóstolos duros, secos,

Peregrinos medievais

Revestidos de amplos sacos,

Marchando com seu bastão;

Calvários extraordinários,

Tarja com estrelas e asas,

Tocheiros, lâmpadas, lustres,

Galerias, balaústres,

Grades em jacarandá,

Querubins, anjos-aurora

De estranhos panejamentos,

Com as asas espalmadas,

Lavabos de sacristias

Feitos de pedra-sabão,

Tetos altos do Ataíde

Exaltando a religião;

Paredes em faiscado,

Consistórios, corredores

Onde vagueiam fantasmas

De poetas inconfidentes,

De frades conspiradores;

Oleogravuras mostrando

A Via-Sacra da Paixão,

Carátulas, gárgulas negras,

Colunas tremidas, gregas,

Caixas pedindo dinheiro

Em antiquados letreiros

De oremus e ora pro nobis,

Ex-votos comemorando

Curas por intercessão:

E a nobre talha dourada,

Patinada, trabalhada,

As imagens ressaltando

De nossos oragos, tantos

Santos de esgarçados mantos,

De arbitrárias cabeleiras,

Roxas, pisadas olheiras,

Os membros caídos, feridos,

Desfeitos, desmilinguidos,

Contemplando comovidos

O descimento da cruz.

Minha alma sobe ladeiras,

Minha alma desce ladeiras

Com uma candeia na mão,

Ilumina embevecida

Seus santos de devoção,

Companheiros vigilantes

Da cruz da sua paixão,

Que deu corpo, força e vida

Aos templos de pedra-sabão:

São Pedro, Santo Isidoro,

São Gregório, São Leão,

Santa Bárbara, São Jerônimo,

São Paulo, Santa Juliana,

Sant'Ana, São Sebastião,

Santa Águeda, Santa Mônica,

São José, Santa Verônica,

São Francisco, Santa Clara,

São Policarpo, São João.

A igreja agora agasalha

Uma densa multidão

Que procura comovida

Nos mistérios redivivos

Da nossa religião

Novo alento, luz e vida,

Sustento, consolação.

Sinos de bronze ressoam,

Ressoam sonoros sinos:

Vejo figuras de orantes,

Orantes e comungantes

Com os abraços estendidos

Orando íntima oração:

Assim se vê nas pinturas

Das antigas catacumbas,

Nos mosaicos bizantinos,

Mulheres, moços, meninos,

Catecúmenos, anciãos,

Assim oravam outrora

Os primitivos cristãos.

Vejo beatos sofredores

Trazendo bentinhos, fitas,

Rezando gastos rosários,

De olhos fixados no céu,

Velhas bíblicas, severas,

Nos ombros escapulários,

Perfil talhado a formão,

Muitas vestem à maneira

De senhoras de outras eras

Com filó preto, fichu,

Dona Engrácia, Dona Urbana,

Don'Ana, Dona Juju;

Irmãos da santa Irmandade

Encostados às paredes,

Pensando na procissão,

Vaidosos nas opas verdes,

Vermelhas, brancas, violetas;

Pretos de vela na mão,

Pretinhas de laçarotes,

Rapazes em seus capotes

Cor de cinza e vermelhão,

Garotinhos retorcidos

Descendentes dos garotos

Que inspiraram o Aleijadinho

Nos anjos do medalhão.

A grande ação começou:

A sublime teologia

Revela a sabedoria

Do sacrifício inefável,

Do mistério universal

De que todos participam

Na terra, no ar, no céu,

Unidos na comunhão

Do Deus eterno, uno e trino,

De um só e mesmo batismo,

Uma só fé, um só pão.

Vozes ascendem aos ares

Que desprezam o cantochão,

Rompe um canto pela nave

A Santa Maria Eterna,

Um canto sentimental

Que ofende a liturgia,

Fonte viva, genuína,

Da santa religião,

Mas que toca a alma ingênua

Do povo rústico e chão.

Agora um baixo-profundo

Canta um hino de paixão,

Esconjura o diabo imundo,

Clama os pecados do mundo

Em longa lamentação,

Chorando com gravidade,

Chorando oculto nas grades

As saudades de Sião.

Mas chega a missa ao momento

De maior concentração,

Surdo silêncio se faz.

Abre-se agora o sacrário,

No seu recesso repousa

O Cristo em sua nova lei,

Já que o antigo documento

Cede ao novo testamento,

Cede ao novo mandamento,

Mistério de caridade.

Mistério de santidade

E total despojamento

O sacramento do altar,

Ação da Comunidade,

Saúde, força, sustento,

Ante o qual todo elemento

Se inclina para adorar.

O celebrante apresenta

À Santíssima Trindade,

Em nome da humanidade,

Ao Pai eterno clemente,

Ao Filho, Verbo humanado,

Ao Espírito Divino,

Unidos na caridade

Por um nó que não desata,

O corpo de Nosso Senhor

Na santa cruz imolado,

Vencendo assim o pecado

Pela presteza do amor.

O Cristo, homem compassivo,

Deus trasladado do Céu,

Transferido à dura terra,

Solidário na sua dor,

Se reparte nos fiéis

Que traçam cruzes nos ares

Relembrando a salvação,

Curvando-se ante os altares

Onde se aprende, esculpida,

Em silêncio oferecida,

Na talha e pedra-sabão,

Ao culto do Deus criador,

A história da Encarnação,

Paixão e Ressurreição

De Cristo Nosso Senhor.

Murmuram o Agnus Dei.

O celebrante despede

O povo, "Ite missa est",

Para este cumprir na rua

O que no templo aprendeu,

Depois lê meio apressado

O evangelho de São João,

Cosmogonia do Verbo;

E afinal com o povo todo

Recita a Salve-Rainha,

Santa e solene oração.

Senhora benigna e pura,

Mãe de esperança e doçura

A quem todos nós bradamos,

Gememos e suspiramos

Neste desterro do céu,

Os olhos consoladores,

Clementes, a nós volvei,

Vossos filhos pecadores,

E mais tarde nos mostrai,

Espelho de todo o bem,

Depois de serena morte,

A face do Cristo, amém.

A multidão se dispersa

Nos seus trajos domingueiros,

Cada um retorna ao lar.

Minha alma sobe ladeiras

De Ouro Preto e Mariana,

De Sabará e São João,

Evoca no ar lavado

O drama da Redenção.

Minha alma sobe ladeiras,

Minha alma desce ladeiras

Com uma candeia na mão,

Procurando comovida,

Procurando comovida

A cruz da sua paixão,

Que deu corpo, alento e vida

Aos templos de pedra-sabão.

Por isso escrevi um canto

Com palavras essenciais,

Baseado na beleza

Da antiga Minas Gerais,

Inspirado na grandeza

Da rude religião,

Princípio e fim da existência,

Essência da perfeição,

Origem de todo o bem,

Penhor de ressurreição,

Doutrina de vida inteira,

Em louvor do Cristo, amém."

(Murilo Mendes)



Onde adquirir o escapulário: e-mail.  

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Pedido

"Aproveitemos o tempo para santificação nossa e dos nossos parentes e amigos. Solicitem orações, que estaremos rezando juntos, em união de orações aos Sagrados Corações."